Parecer do poeta Carlos Drummond de Andrade foi decisivo para tombamento
da Igreja Matriz de Matias Cardoso como Patrimônio Histórico e Cultural
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da Igreja Matriz, em Matias Cardoso (MG), datado do final do Século XVII, é
considerado o mais antigo de Minas Gerais. Fotos: França Neto em julho 2009/FN
Café NEWS. |
FN Café NEWS – Um fato raro chamou atenção no início da semana
passada, na terça-feira (27/8), quando o Ministério
Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio
Histórico e Cultural, determinou a retirada de antenas de telefonia e de
internet do morro dos Jesuítas, onde está situada a Igreja Matriz de Nossa
Senhora da Conceição, localizada no município de Matias Cardoso, no Norte de
Minas, cujo templo é considerado um dos mais antigos de Minas Gerais. O episódio
raro, ou melhor, raríssimo, registra-se não na determinação providencial do MPMG,
que cumpre sua missão de defesa do patrimônio público, mas, sim, no tombamento da
Igreja Matriz, em 1954, pelo Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão do
Ministério da Cultura.
O fato é que, na época, um parecer técnico
favorável ao tombamento foi emitido pelo poeta Carlos Drummond de Andrade, que
atuou, de 1945 a 1962, como chefe de seção do Serviço do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional, atual Iphan.
Laudo de Drummond sobre igreja histórica em Matias Cardoso
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Carlos
Drummond de Andrade dá autógrafos em Belo Horizonte, em 1954. Foto: Arquivo UOL.
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Mais conhecido por seus poemas, Drummond também foi
servidor público e escreveu no laudo técnico da época que a edificação lembrava
a fase do desbravamento e do povoamento da região, realizados por paulistas e
baianos. Para ele, o imóvel é, sem dúvida, “um dos templos mais antigos de
Minas – e sua vinculação” ao período da formação nacional conferem-lhe,
“evidente interesse histórico”, que pode ser estendido ainda às suas
características arquitetônicas.
Além do laudo drummondiano, a Igreja Matriz de
Matias Cardoso, uma construção do século XVII, foi tombada pelo Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1954, registro considerado
por especialistas como o templo católico mais antigo de Minas Gerais, à época.