Alquebrado, o vapor Benjamim Guimarães comemora seus 100 anos em
condições precárias. À espera de restauração e praticamente aposentado, o navio
ainda atrai turistas para Pirapora
Mateus Parreiras/Especial para o Jornal Estado de Minas-BH*
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| Benjamim Guimarães: o último remanescente de embarcações de passageiros no rio São Francisco completa 100 anos. Foto: FN Café NEWS/Arquivo. |
Pirapora – A menos de
50 centímetros da água, no convés de madeira, passageiros se agarravam onde
podiam para atravessar as corredeiras do Rio São Francisco que arrebentavam nas
pedras entre Sobradinho e Juazeiro, na Bahia. No trecho norte-mineiro do Velho
Chico, a partir de Pirapora, o forró varava as noites no segundo andar da
embarcação, com animados estudantes e viajantes rompendo o silêncio do sertão.
Desbravador das Américas, o vapor Benjamim Guimarães singrou a Amazônia e o
Mississippi, no coração dos Estados Unidos, transportando carvão, algodão e
madeira do Minnesota ao porto de Nova Orleans.
Testemunha da história desses povos, o navio
Benjamim Guimarães chegou ao centenário este ano, mas sem o esplendor de suas
célebres jornadas. Alquebrado, ancorado no porto de Pirapora com a madeira
trincada, pintura descascada e casco precário, ele já não desce o rio para
viagens que durem mais de três horas (36 quilômetros) – muito aquém dos quase
30 dias de ida até Juazeiro (BA) e volta, perfazendo 2,7 mil quilômetros.






