Em ano de eleição, governo terá pouco espaço para estimular
a economia, diz economistas.
Por outro lado, ‘Brasil deve crescer em 2014 um
pouco mais do que em 2013', disse Delfim Netto
 |
Capas da revista inglesa ‘The
Economist’ sobre estágios da economia brasileira. Em 2009, a primeira capa de The
Economist (à esquerda) diz que “o Brasil decola” em um eventual cenário
promissor na economia mundial. Entretanto, a segunda capa da revista ilustra, em
outubro de 2013, um momento de pessimismo e desapontamento com a economia
brasileira. Imagens: Capas The Economist 2009 e 2013.
|
FN Café NEWS
– O ano mal chegou e a polêmica foi suscitada por alguns economistas do País: o Brasil cresce economicamente, ou não, em
2014? Para além da economia, será
também se o Brasil vai ter um desempenho significativo no crescimento em áreas
como a educação e o desenvolvimento social sustentável neste ano? Esta é
outra questão que compete ouvir especialistas desses segmentos do conhecimento.
No entanto, para o momento, lança-se mão de
algumas opiniões na quebra de braço entre economistas brasileiros sobre cenário
e estágio econômico para o Brasil 2014.
Por um lado, sem margem de manobra, segundo
alguns economistas, normalmente a ordem seria aquecer a economia brasileira,
mas Planalto terá de lidar com redução de estímulos nos EUA e desconfiança
externa sobre o Brasil em 2014; perspectiva de mercado é de crescimento de 1,5%
a 2%. Por outro lado, de acordo com Delfim Netto, apontado como um dos
conselheiros econômicos da presidente Dilma Vana Rousseff [o que
ele nega], em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, há chances de a
economia brasileira crescer mais de 2014 do que em 2013. "Hoje, o que
precisa é uma decisão da presidente de fazer 2% de superávit primário, sem
truques", disse Delfim.
Veja a seguir a controvérsia de ideias entre
os economistas.
O Estado de S. Paulo/Luiz Guilherme Gerbelli
O governo
terá de lidar com diversas amarras em 2014, o que dará pouco espaço para
estimular a economia brasileira. A expectativa é que o padrão econômico do País
dos últimos anos se repita com baixo crescimento e inflação elevada.
Se o governo decidir, por exemplo,
aumentar os gastos para estimular a economia, a situação fiscal tende a piorar
ainda mais, e aumenta o risco de o Brasil ser rebaixado pelas agências de risco
num ano de disputa eleitoral - em junho, a agência Standard & Poor's
colocou a perspectiva de rating brasileiro de estável para negativo.
"O desejo do governo seria o de
colocar o pé no acelerador porque 2014 é um ano eleitoral. Mas existe uma
restrição dada pelas agências de risco", afirma Juan Jensen, economista e
sócio da Tendências Consultoria. A estimativa para 2014 é que o Produto Interno
Bruto (PIB) cresça 2,1% e inflação, medida pelo IPCA, fique em 6%.