quarta-feira, 29 de maio de 2013

Vapor Benjamim Guimarães é palco de orquestra sinfônica em ano de homenagem dos seus 100 anos em Pirapora MG

Sinfonia do Velho Chico é, mais uma vez, sucesso em Pirapora
Orquestra sinfônica faz homenagem ao Centenário do Vapor Benjamim Guimarães, em Pirapora (MG). Fotos: Ivan Rodrigues - 25 maio de 2013.
RIO SÃO FRANCISCO - Na noite do último sábado (25-05) foi realizado em Pirapora (Norte de Minas) a 2ª Sinfonia do Velho Chico em 2013. O evento é uma parceria da Prefeitura de Pirapora, Empresa Municipal de Turismo (EMUTUR) e Associação Cultural, Musical e Artística São Vicente de Paula. A apresentação teve duração de duas horas e agradou  centenas de turistas de Belo Horizonte, Sete Lagoas, Divinópolis e Montes Claros. O palco da Sinfonia é o Vapor Benjamim Guimarães, que em 2013 completará 100 anos, além de ser a única embarcação movida a lenha do mundo.

O diretor presidente da Empresa Municipal de Turismo, Alberto Trincanato, destacou a parceria com a Sinfônica Jovem de Pirapora, para a implantação do projeto Sinfonia do Velho Chico. “Um sucesso absoluto, hoje temos aqui pessoas de vários lugares do Brasil. Estamos muito entusiasmados com o projeto, conversei com muitos turistas, que estão encantados com o desempenho não só do maestro Alex Domingos, como também dos músicos. Sabíamos que essa parceria seria um sucesso, pois de um lado tem o poder público com a intenção de fazer um turismo de qualidade. Do outro, crianças talentosas, só poderia acabar com esse resultado sucesso total”, finalizou o diretor.

O maestro Alex Domingos destacou a parceria com a Prefeitura de Pirapora. “A cada dia que passa o projeto evolui, hoje temos turistas de Divinópolis, Belo Horizonte, Sete Lagoas, Montes Claros, além da população de Pirapora. Hotéis e Restaurantes estão lotados, reflexo desse projeto audacioso, que conta com a coragem do prefeito Léo Silveira e do presidente da Associação, Ansfrido André, um batalhador para o sucesso do projeto”.
A empresária Carla Renata Santos, da capital mineira, elogiou a estrutura do evento. “Pirapora não deve nada aos grandes centros, pelo contrário, esse projeto é de alto nível, são poucas cidades que tem. Parabéns à prefeitura de Pirapora, ao maestro Alex Domingos e principalmente essas crianças que nos proporcionaram um verdadeiro espetáculo, fiz uma verdadeira viagem ao tempo, ouvindo clássicos da música mundial, como Beatles, The mamas e The papas, chegando até os clássicos da música brasileira como Adoliran Barbosa e Gonzaguinha, saio daqui como a alma lavada de cultura”.

O prefeito Léo Silveira acompanhou a apresentação e elogiou a apresentação da Sinfônica Jovem. “Pirapora é rica em talentos. A apresentação dessas crianças e adolescentes é de encher os olhos. Nosso papel é investir e incentivar esse trabalho, temos uma parceria sólida, com repasse de recursos financeiros e apoio em outras ações que são desenvolvidas pela Associação. A  Sinfonia do Velho Chico é um produto de sucesso e tem que ser abraçado por todos. Gostaríamos que vocês levassem a nossa mensagem para os seus amigos e familiares. As apresentações da Sinfonia acontecerão durante todo a ano de 2013, e a próxima será  no dia 15 de junho. Nesse instante, quero agradecer a todos que vieram para abrilhantar o evento”, concluiu.
 Fonte: Prefeitura de Pirapora (MG)/ Edição: Rogério Carlos

TRAJETÓRIA DE 100 ANOS DO 'BENJAMIM GUIMARÃES', O ÚLTIMO REMANESCENTE DOS  ‘GAIOLAS’  SANFRANCISCANO
RIO SÃO FRANCISCO: Benjamim Guimarães faz 100 anos singrando pelas águas serenas do Velho Chico, que sacia a sede e alimenta as plantações das populações ribeirinhas de MG, BA, PE, AL e SE. Fotos: França Neto Café NEWS – jan 2011.
Benjamim Guimarães é um vapor construído em 1913, nos Estados Unidos, pela empresa James Rees & Com., o Vapor Benjamim Guimarães navegou no Rio Mississipi e, posteriormente, em rios da Bacia Amazônica. Na segunda metade da década de 1920, a firma Júlio Guimarães adquiriu a embarcação e a montou no porto de Pirapora, recebendo o nome de "Benjamim Guimarães", uma homenagem ao patriarca da família proprietária da firma. A partir de então, o vapor passou a realizar contínuas viagens ao longo do Rio São Francisco e em alguns dos seus afluentes. É o último exemplar movido a lenha existente no mundo.
Ao contrário das demais embarcações da época, as viagens eram programadas de modo a permitir que o mesmo atendesse as mais variadas necessidades, indo e vindo de vários portos intermediários antes do seu regresso ao porto de origem. O Benjamim Guimarães era mais utilizado no transporte de cargas do que de passageiros. Relatos dos antigos usuários da embarcação contam que em uma dessas viagens coincidiu com as andanças de cangaceiro "Lampião" por pequenos povoados situados às margens do rio, atacando fazendas na região de Juazeiro/BA. Ao tomar conhecimento do grande volume de carga transportada pelo Benjamim Guimarães, "Lampião" e seu bando planejaram atacá-lo. Ciente do perigo que corria e se valendo do fato do rio ser largo naquele trecho, a tripulação do Benjamim imprimiu velocidade máxima à embarcação, dirigindo-se à outra margem, livrando-se assim dos tiros em sua direção.
Na década de 1940, o vapor tornou-se propriedade da empresa Navegação e Comércio do São Francisco, do empresário Quintino Vargas que, em 1942, foi incorporada à Companhia Indústria e Viação de Pirapora. Em 1955, tendo ocorrido a encampação, pela União, de todas as empresas de navegação, o Vapor Benjamim Guimarães é transferido, juntamente com outras 31 embarcações, para o Serviço de Navegação do Vale do São Francisco e, posteriormente, para a Companhia de Navegação do São Francisco. Por várias décadas, o Benjamim Guimarães foi utilizado no transporte de cargas e passageiros no trecho Pirapora - Juazeiro, no Norte da Bahia, chegando a navegar com centenas de tripulantes à bordo que se dividiam em primeira, segunda e terceira classes, além de ter transportado - durante a Segunda Grande Guerra Mundial - tropas do Exército Brasileiro que se dirigiam para o litoral de Pernambuco e do Rio Grande do Norte para o patrulhamento da costa, de onde embarcariam para a Itália, na Força Expedicionária Brasileira.
No início dos anos 1980, com a decadência da navegação no São Francisco, o vapor passou a ser utilizado em passeios turísticos e as viagens tornaram-se cada vez menos frequentes. Em 1 de agosto de 1985, dado seu valor histórico-cultural, o Benjamim foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico. No mesmo ano, já bastante deteriorado pela ação do tempo, recebe sua primeira reforma. Após concluída a restauração, o vapor volta a navegar oficialmente em 24 de outubro de 1986, data marcada por uma cerimônia com a presença do então Ministro dos Transportes José Reinaldo Tavares. Em julho de 1987, a Empresa UNITOUR ficou responsável pelo agenciamento de viagens turísticas no trecho Pirapora-São Francisco-Pirapora, totalizando 460 km, atraindo turistas de todo o Brasil. Foram reiniciados, também, os passeios aos sábados, com duração de três horas, promovidos pelos principais hotéis da cidade.
Em 1995, o Vapor apresentou falhas na caldeira e no casco e, por motivo de segurança, foi interditado pela Capitania dos Portos de Minas Gerais. Em 29 de janeiro de 1997, o Benjamim foi incorporado ao Patrimônio Histórico do Município de Pirapora, através de Termo de Transferência firmado entre a Franave e a Prefeitura. Atracado no porto da Franave por quase dez anos, o Vapor Benjamim Guimarães voltou a navegar nas águas do Rio São Francisco na manhã do dia 11 de agosto de 2004, após passar por uma segunda recuperação - reforma e restauração, realizada pela Franave/Ministério dos Transportes, com supervisão do Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e vistoria técnica da CFSF - Capitania Fluvial do São Francisco. O engenheiro naval Odair Sanguino, do Rio de Janeiro, foi o responsável pela coordenação dos trabalhos de recuperação, recebendo o auxílio do restaurador Aílton Batista da Silva e do arquiteto Joacir Silva Concelos, profissionais lotados no Instituto Estadual de Patrimônio Histórico.
O Benjamim Guimarães possui três pisos: no primeiro, encontra-se a casa de máquinas, caldeira, banheiros e uma área para abrigar passageiros. No segundo, estão instalados catorze camarotes e no terceiro, um bar e área coberta. Tem capacidade para 140 pessoas, entre tripulantes e passageiros e consome um metro cúbico de lenha por hora. De acordo com as normas de segurança da Marinha, nas atuais condições em que se encontra, o vapor está autorizado a navegar na chamada área um: rio, lago e correnteza que não tenham ondas ou ventos fortes.
Hoje, o Benjamim Guimarães faz rotineiramente passeios públicos aos domingos, a partir das 9 horas, sempre lotado de turistas, principalmente. Passeios esporádicos são feitos também aos sábados e durante os dias da semana, conforme contratos de aluguel que são feitos com empresas e agências de viagens, tornando-se um dos principais atrativos turísticos de toda a região do Norte de Minas.
Fonte: Codevasf

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